sábado, 27 de dezembro de 2008

As bibliotecas e a produção do conhecimento

Olá, família portuária! Semana passada, infelizmente, fiquei impossibilitada de escrever o artigo para esta coluna. A causa foi uma “montanha” de trabalhos escolares para corrigir. Final de ano para professor é trabalho em dobro, porém, muito prazeroso. Entretanto, a correção de tais trabalhos trouxe a reflexão para a coluna desta semana. 

 

Sou docente da disciplina Sociologia para alunos do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Todo ano solicito aos alunos que visitem uma biblioteca, a escolha deles, para observação e se coloquem na condição de usuário, tentando despojar-se das pré-noções adquiridas no decorrer do curso superior. Faço este trabalho, pois todo sociólogo tem que utilizar-se da técnica do distanciamento para tecer análises isentas, ou as mais isentas possíveis. É uma forma de eles sentirem a profissão de sociólogo. 

 

Entretanto, os resultados dos trabalhos mostraram uma realidade que nem mesmo o mais atento usuário pode obter. Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a utilização das bibliotecas.

 

Sabemos as bibliotecas foram e são depositárias de todo saber erudito. Durante a Idade Média, elas, além de depositárias, serviam a um público restrito, visto que o acesso ao saber era limitado aos clérigos. O livro de Umberto Eco, também disponível em filme, O Nome da Rosa, nos mostra esta realidade.

 

Porém, atualmente o saber é livre, sendo fácil de ser acessado. Em qualquer computador conectado à Internet, eu consigo acessar os acervos de diversas bibliotecas nacionais e internacionais ou mesmo fazer downloads de livros completos. Este fato nos traz uma questão. Na sociedade da informação, onde a informação é o bem maior (assim como a mercadoria mais cobiçada) e seu acesso é livre e rápido e sua disposição é, em grande parte, virtual, como ficam as bibliotecas? As bibliotecas físicas, que guardam aquela imensidão de livros físicos em estantes as quais temos que percorrer em busca do título que queremos, ainda tem espaço?

 

Podemos dizer que sim. Os dados apresentados pelos trabalhos dos alunos mostram que, ao menos na cidade de São Paulo, as bibliotecas ainda atraem uma grande parte da população. Segundo os dados, as bibliotecas públicas são utilizadas, na maioria das vezes, por crianças, jovens e idosos. Os idosos utilizam o tempo livre para ler os jornais dispostos nas bibliotecas, enquanto crianças e jovens fazem trabalhos escolares e se beneficiam de eventos como as contações de histórias, onde um funcionário da biblioteca ou mesmo um autor de livro, conta histórias recheadas de trejeitos, mímicas, etc, trabalhando com a imaginação dos que assistem. Mas, os adultos também aproveitam. Os horários de almoço são utilizados pelos que trabalham nos entornos das bibliotecas para leitura de jornais ou para retirada e renovação de livros, que muitas vezes são lidos na longa jornada do trabalho para casa. 

 

Já as bibliotecas universitárias atraem um público mais especializado, que cursa faculdade e busca bibliografia específica para o desenvolvimento das disciplinas. Porém, grande parte das bibliotecas universitárias também é aberta ao público em geral, que pode aproveitar as suas salas de estudo em grupo e individual, assim como os cantos de leitura, para ler seu jornal diário ou escolher um livro entre as inúmeras prateleiras e se deliciar com a leitura. 

 

Entretanto, o que há de comum entre estas bibliotecas é o acesso a informação. A idéia de que as bibliotecas são as depositárias do saber erudito ainda persiste, porém, hoje elas não são meras depositárias. Elas fazem a ponte entre o saber e o usuário. Grande parte das bibliotecas relatadas pelos alunos possui livre acesso ao acervo. Ou seja, o usuário pode andar por entre as estantes, olhar os títulos, verificar capas, orelhas e sumários e escolher aquele que mais agradar, caso não esteja procurando algo específico. Tem acesso livre ao conhecimento e o desenvolve conforme sua vontade. Algumas bibliotecas ainda mantêm acesso restrito ao acervo e, segundo os próprios alunos, impedem que os usuários possam desenvolver seu conhecimento, pois este fica circunscrito aquilo que ele sabe no momento ou ao que o professor solicitou durante as aulas. 

 

Além disto, foi possível observar que a maioria das bibliotecas possui acesso a internet, o que faz com que os usuários possam fazer pesquisas on-line e, caso encontrem informações que só existam em livros físicos, possam percorrer o acervo em busca delas. O acesso a internet também traz para a biblioteca um público que vive completamente no mundo virtual e que pode descobrir nos corredores murados pelos livros, o encanto destes.

 

Esta reflexão é apenas uma forma de fazer com que nós, mesmo imersos no mundo virtual, utilizando a todo o momento produtos e serviços disponíveis na internet, não esqueçamos a biblioteca física. É uma maneira de pensarmos o local da biblioteca em nossa comunidade, auxiliando na preservação da cultura desta. Afinal, a biblioteca, que já nos foi muito útil nos tempos de escola, ainda é o melhor lugar para aquisição e produção de conhecimento. 

 

Os sítios eletrônicos das prefeituras municipais trazem os endereços das bibliotecas públicas. Procure a mais perto de sua casa ou trabalho e visite. Aqueles que não resistem ao mundo virtual seguem alguns endereços interessantes:

 

* Biblioteca Nacional

* Portal de Referência em Arquivologia, Biblioteconomia e Ciência da Informação (traz diversos endereços virtuais nas mais diversas áreas)  

* Domínio Público (permite o download de livros que já caíram em domínio público)

 

Seja qual for o meio, físico ou virtual, a leitura é sempre um grande prazer. Escolha seu titulo e boa viagem!


Fonte: http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=19172

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